19.7.08

CACHORRO MORRE DE FOME EM EXPOSIÇÃO DE ARTE

Na parede do fundo da galeria está escrito em letras grandes e é possível ver desde a entrada. “Tu és aquilo que lês”. As letras são formadas por comida de cachorro.
Logo adiante, um cachorro doente amarrado numa corrente. Morreu na galeria por falta de alimento.

Na tarde que antecedeu a inauguração da exposição, o artista Guillermo Vargas Habacuc perseguiu e resgatou num bairro da periferia, por entre barracos, o pobre animal.

A obra critica as convenções e limitações das instituições de arte, levantando debate. Isso é eficácia.

Agora vêm as pessoas sentindo a morte do cachorro. Um cachorro abandonado ou morto na rua não comove. Tudo é a troca de cenário.

Que demônios é a liberdade criativa? Te parece criativo matar de fome um cachorro? Várias organizações de proteção dos direitos dos animais estão organizando um grande protesto.

Contudo, arte não é para “fazer o bem” ou se “fazer o mal”. A arte registra. A arte se camufla.

É fácil expor nossas idéias politicamente corretas e ficar posando de herói, Somos entendidos de arte - essa forma que tem os artistas de ver as coisas da arte está protegida, e sempre estará, pela instituição de arte.

Já que se buscava uma grande ruptura, porque tiveram o cuidado de retirar o seu cadáver? Porque não o deixaram ali aguardando seu apodrecimento?

Guillermo Vargas Habacuc, o artista, tem em casa quatro cachorros vira-latas que ele cuida como se fossem de raça.

*esse texto é uma colagem.


http://www.marcaacme.com/blogs/analog/index.php/2007/08/22/5_piezas_de_habacuc