30.10.08

Novembro/2004

A Menina que Nasceu pra Ser Fantasma

castidade é certeza rara.
desejo inventado.
nuvens pretas músicas.

sangue som fogo.
armar
é tocar um instrumento.

fez silêncio. fez-me rir na praia.
fez-me em versos quasecores.
é música e o resto fez canção.

rasgado sagrado queimado.
deus sem filho e sem mundo.

vento negro
sob a pele parda arrepia.
diamantepernas cerradas.

anjos safados vindos do prazer.

abre a perna pro destino torto!
rio de mistério e de janeiro.
é preta.
não nasceu aqui.

brotou sem lembranças e chora sem motivo.
é negra.
nasceu pra ser fantasma.

(Fabricio Noronha em "Sangue Som Fogo")





A Menina que Nasceu pra Ser Fantasma, Sol na Garganta do Futuro
trecho gravado em dezembro de 2004
Teatro Carmélia, Vitória, ES

Ava Rocha II



Sol na Garganta do Futuro e Ava Rocha
cantam Jards Macalé

Hotel das Estrelas (Jards Macalé e Duda)
Mal Secreto (Jards Macalé e Wally Salomão)
texto de Wally salomão publicado na revista Naviloca, 1972

Imagens do show "Sol na Garganta do Futuro recebe Ava Rocha"
Gravado em janeiro de 2008
Praia de Camburi, Vitória, ES

para conhecer mais do trabalho de Ava Rocha acesse:
http://www.myspace.com/avapatryayndia...

27.10.08

Ava Rocha


Ano passado fomos tocar no Rio numa sessão do Cineclube Utopya, tocado pelo nosso amigão cineclubista Dario Gularte, que funciona no Tempo Glauber, instituição que cuida da memória do grande Glauber Rocha. Na pláteia estava Ava.

Ava é filha mais nova de Glauber, e também uma boa diretora de cinema, tendo produzido, entre outros, um curta que gosto muito, "Dramática" (assista no link). A partir do show surgiu uma amizade e algumas noitadas de música e vinho em seu apartamento. Ava Rocha tem uma voz incrível, que uma vez num release chamei de "alucinante". Quem revelou isso pro mundo foi Zé Celso na montagem d´Os Sertões. Ela entrava cantando a capella a canção “Luar do Sertão”, do Catulo da Paixão Cearense, numa cena de uma das partes do espetáculo (assista cena no vídeo abaixo).

Luar do Sertão


Em janeiro agora, fomos convidados para tocar na praia de camburi no verão de Vitória. Tivemos a idéia de convidar Ava para fazer o que seria sua estréia no palco como cantora. Algumas dessas imagens estão na internet em nosso canal de vídeo.

Hoje, pouco tempo depois, Ava consolidou seu desejo e montou uma banda. Cello, Laptop, Percussão e Violão. Acompanhada de Nana Love, Daniel Castanheira e Emiliano 7, tem feito alguns shows no Rio (uma quinta-feria sim a outra não no Cinemathèque em novembro e dezembro).

Aos poucos tem gravado e jogado em seu myspace. Quando fomos convidado a participar do Fórum de Mídia Livre com o Estúdio Garganta reencontramos novamente Ava nos palcos. Esse pocket-show (foto ao lado de Caio Perim), acompanhada apenas por Nina e Emiliano, foi gravado em nosso estúdio e disponibizado para download agora aqui no blog.

Na última faixa leio um texto de Wally Salomão numa composição feita com um poema de seu avô, o poeta colombiano Jorge Gaitán Duran.

Sé que estoy vivo

Sé que estoy vivo en este bello día
acostado contigo. Es el verano.

Acaloradas frutas en tu mano

vierten su espeso olor al mediodía.
Antes de aquí tendernos, no existía

este mundo radiante. ¡Nunca en vano
al deseo arrancamos el humano
amor que a las estrellas desafía!

Hacia el azul del mar corro desnudo.

Vuelvo a ti como al sol y en ti me anudo,
nazco en el esplendor de conocerte.

Siento el sudor ligero de la siesta.
Bebemos vino rojo. Esta es la fiesta
en que más recordamos a la muerte.


Jorge Gaitán Duran
(conheça mais esse poeta clicando aqui e aqui)

***

BAIXE AGORA:

AVA AO VIVO NO ESTÚDIO GARGANTA

Circulação de Shows

Participar do Circulação está sendo incrível, apesar dos problemas de público e de estrutura de algumas cidades. A grana te instrumentaliza a realizar um show melhor e isso está indo além dos 6 shows do programa [realizamos apenas dois até agora, Rio Novo do Sul e Aracruz]. O Sol na Garganta pôde montar uma equipe, passamos de 10 pessoas, que tem estado junta também nos outros shows. Nosso trabalho cresceu para além do Edital.

Entretanto, o problema de divulgação é evidente. Não só pelo fato dos teatros estarem longe de lotados nos shows a fora; o burburinho na cidade é pequeno. O projeto tem um potencial incrível. É preciso trabalhar a construção de uma identidade, uma marca para um projeto tão ousado e grande. Isso precisa ser pensado, levado em conta, colocado na mesa para as próximas edições. Pela novidade é importante que sejam apontados os problemas, pois o público, acredito, é curioso e vai querer conferir sempre o que a caravana oferecer.

A divulgação não é de responsabilidade do grupo, a bola está com as prefeituras locais, que ficam incumbidas, em contra-partida ao investimento estadual, de lotar o teatro. Entretanto, o que percebi e tenho ouvido conversando com amigos de outros grupos contemplados, é que algumas dessas cidades estão desarticuladas, desmotivadas, sem compromisso. Talvez reste, ainda para esse ano, que a SECULT crie uma espécie de cartilha básica e um check-list de exigências para que as cidades sigam e a divulgação aconteça e as pessoas optem em ir ou não ir, e mesmo que prefiram ficar em casa ou girando na praça o façam sabendo que na cidade dela passou um projeto super-bacana com artistas que dão tudo de si.

Outro ponto que prejudica é a arrumação de um evento-atrás-do-outro no mesmo fim de semana. A maioria dessas cidades tem poucos atrativos culturais; talvez três ações ocupando o teatro no mesmo fim de semana seja muito repentino. Sendo a produção, estrutura, sonorização toda decentralizada (por conta de cada grupos) fica fácil agendar tudo em fins-de-semana separados, ocupando mais a agenda da cidade e o boca-a-boca poderia correr mais solto.

Outra sugestão, que surge nas conversas com outros contemplados, seria o de contratar uma produtora para visitar os locais, preparar conceitualmente e fisicamente as cidades, resolver alguns detalhes. Uma sugestão mais radical seria de contemplar uma empresa, por meio do mesmo pacote de Editais, para cuidar especificamente da promoção/divulgação por todo o ES. Essa produtora entraria com um plano de ações de divulgação, que seria avaliado e o projeto que se adequa aquele corpo de artistas daquele ano seria escolhido. A empresa receberia uma verba e para fazer o projeto acontecer, caminhando junto e dando suporte as prefeituras locais.

Vejo que o problema não está no interesse das pessoas das cidades do interior – como pode apontar um mais preconceituoso. O público tem se mostrado receptivo, mesmo para um trabalho mais experimental como o nosso. É só a divulgação ser planejada, porque todos chegam de coração aberto a fim de mostrar seu trabalho da melhor maneira possível para o maior público possível. E a receptividade ao nosso trabalho até agora tem sido muito boa, durante e depois dos shows – no bate papo de camarim e na cervejinha no bar.

Não só penso que o projeto precisa continuar como o defendo como política pública para além de qualquer governo; uma ação a ser exportada, copiada por outros governos. Penso que nosso papel, mesmo enquanto contemplado, seja o de dar algumas sugestões para que os próximos grupos contemplados aproveitem mais da potência do projeto. Sexta-feira embarcamos para Venda Nova com toda a empolgação!


FABRICIO NORONHA

Ventando a poesia II


+ fotos: http://picasaweb.google.com/solnagarganta

25.10.08

Ventando a poesia

O primeiro “Poesia Ao Vivo” organizado pelo Waldo Motta, que aconteceu ontem, foi um importante ponta-pé para que a poesia comece a pautar uma ou outra noite dessa cidade com mais regularidade. Bom também para conhecer, com prazer de ouvir e manter contato, Massao Ohno, Ronald Polito e o figuraça Celso de Alencar – convidados de saumpaulo. Prazer também receber (sem querer) um amigo cariôco-brasiliense que de passagem por Vitória foi conferir de cabo a rabo o evento (e adorou).

No “Poesia Ao Vivo” participei de duas formas, falando poesia na primeira parte (dentro do Majestic) e depois agitando a rua com o Sol na Garganta do Futuro e participação do ilustre-iluminado-emocionado, Reginaldo – que chorou na cochia antes do show ao ouvir um sambinha de outro amigo, o Anselmo.

Do lado de dentro, tive o desafio de abrir a noite. Li correndo de nervoso (com garfo, faca e lápis no bolso direito) três poemas de Sangue Som Fogo (p. 37, p. 86 e p. 45). Abri com um texto inédito. Uma carta curta e desendereçada escrita no meio do ano que compartilho com vocês no post seguinte.

FABRICIO NORONHA

sábado, 19 de julho de 2008, 23h e 42m


Escondo-me na prosa, porque na prosa procuro novamente a redenção da poesia. Penso que daqui há algumas laudas estarei em versos. O fiel da balança é o outro. O interlocutor, a platéia, o leitor, o ouvinte. Se a platéia fica confusa, desfocada, isso determina no poeta – seu alimento. O processo de criar as coisas.

Poeta é um ser calado. Eu falo de mais para ser poeta.
Faz pouco aprendi a me comportar, esqueci como se escreve. Esqueci o caminho que leva o pensamento, a viagem para o papel. Sou um ex-poeta. Um farsante. Eu fake passando fome.

Quantas palavras. Quantos tamanhos de palavras. Quantas canções. Quantos discos ainda não ouvi. Queria poder ver metade dos bons filmes do mundo – e isso é impossível. Se a arte inventou no homem a admiração do belo, foi o poeta que experimentou primeiro. Como é bonito ver o mar. O mar quando bate na praia. Até a chuva. Até o simples céu. Às vezes é bom não admirar, não admitir. Ficar parado. Ouvindo o batuque do coração um disco dos Beatles.

Os próximos passos podem ser em verso. Cada estrofe desbravando esse mato que cresceu. A música pulsa no corpo todo. Vou esperar.


FABRICIO NORONHA

21.10.08

Poesia Ao Vivo

Nesta sexta e sábado acontece em Vitória a estréia do projeto Poesia Ao Vivo, debates e apresentações de poesia, música e teatro, sob a batuta do grande poeta Waldo Motta (foto). O evento conta com poetas e editores convidados e com os participantes das oficinas “Poiesis” (poetas iniciados e iniciantes, incluindo nosso vocalista Fabricio Noronha) e “Poesia e Teatro” (atores e atrizes) e show do Sol na Garganta do Futuro.

A idéia do evento é promover a amizade, o intercâmbio e parceria entre os artistas daqui e de outros lugares do Brasil, visando a possibilidades de divulgação e publicação. Além disso, apresentar ao público essa produção, a fim de criar meios de difusão e popularização da poesia.

PROGRAMAÇÃO COMPLETA

Sexta, 24 de outubro
Centro Cultural Majestic

16h – Momento Informal
Encontro entre os poetas, editores, organizadores, apoiadores, artistas em geral.

16h30 – Debate “Poesia na atualidade”
Convidados: Massao Ohno (SP), Ronald Polito (SP), Waldo Motta (ES), Celso de Alencar (SP) e Paulo Sodré (ES)

Coffee Break

19h30 – POESIA AO VIVO - poesia, música e teatro
Participam: os escritores Marcos Tavares, George Saraiva, Roberto Soares, Tatiana Brioschi, Franklin Netto, Fábio Freire, Fabricio Noronha, Piatã Lube, e os atores Danielli Zetum, William Berger, Cristina Garcia e Allan Moscon.
Waldo Motta apresentará, entre outros, o poema Jurupari.
e Sol na Garganta do Futuro

Sexta, 24 de outubro
Centro Cultural Majestic

10h às 12h – Os convidados Massao Ohno, Celso de Alencar e Ronald Polito conversarão com os participantes das oficinas “Poiesis” e “Poesia e Teatro”

***
POESIA AO VIVO

debates e apresentações de poesia, música e teatro
Idealização e Curadoria: Waldo Motta

Centro Cultural Majestic
Rua Dionísio Rosendo, 99 – Centro – Vitória – ES
Tel.: (27) 3222.5984

Maiores informações:
astrid@majestic.org.br / waldomotta@bol.com.br

Novo cenário


Na foto ao lado, detalhe do cenário desenhado por Felipe Gomes que tem acompanhado o Sol na Garganta do Futuro nos shows pelo interior. Ele é composto por um painel de 6 x 3 m, peças de acrílico e sinalizadores vermelhos. O show já passou por Rio Novo do Sul e Aracruz.

Veja as fotos de Luara Monteiro dos dois primeiros shows do projeto Circulação no nosso Álbum de Fotos.